Tem dias que a casa cai…

by Alexander on July 1, 2010

É rapaziada… nem sempre a gente pode se dar bem. Sabe quando um camarada é tranqüilão na dele, leva aquela vida controlada, pacífica, pacata, do tipo que será assim até o final da vida? Pois bem. Esse daí NÃO sou eu…

Quem me conhece já sabe que eu não tô aqui embaixo pra brincadeira: aqui a chapa é quente o tempo todo e se bater de frente, a casa cai! Mas chega um dia que nego aponta pro nosso telhado e aí já era!

Numa narração ao melhor estilo Tropa de Elite – o DOIS já tá chegando! Filmaço obrigatório -, me lembro de que quando resolvi que deixaria de ser pedestre e motorista para me tornar também motociclista, me lembro também de que não precisaria nem dizer quais foram as reações das pessoas mais próximas: “o silêncio que precede o esporro”!

Mães*, mulher, amigos, conhecidos, colegas de trabalho… muita gente mesmo, olhou pra cima e despejou. Mas aí já era: como missão dada é missão cumprida, o objetivo traçado era o de tirar a carteira e comprar uma moto, eu tirei a carteira e apareci em casa com a Sofia**.

Passados dois anos e o alívio foi geral ao verem que eu tinha largado a vida de motociclista e voltado a ser motorista. Até que a exatamente um mês atrás, veio um novo silêncio. Ele deixou de ser motorista e voltou a ser motociclista. As reações, obviamente, foram muito idênticas a da primeira vez… antes de terem visto a Nina. Tive o cuidado de não queimar cartucho antes do tempo com pessoas chaves, as minhas Mães*, em soltar informações sólidas e seguras para uma outra galera da pesada, os meus amigos mais antigos, e também de avisar com todo o carinho do mundo algumas pessoas que sempre serão importantes, indepentemente de onde é que elas estejam – pausa para olhar pra cima.

E finalmente, duas semanas após a compra, chegava a Nina de fato e de direito. E na guerra, ou você se corrompe, ou você se omite, ou você cai dentro. Sempre com a 3ª opção ativada por padrão desde o dia do meu Nascimento, fui de casa em casa mostrar que eu estava bem. E ao mesmo tempo, mostrar que estar bem, pode nem sempre significar que você está bem acompanhado, segurei a onda, baixei a bola e dei a cara pra bater.

Pausa para a explicação do Mães*:
“- Eu não tenho uma mãe só: tenho muitas. Um exército!”
Mãe biológica, mães agregadas, mães dos meus amigos e mães que se foram.
Sou um filha-da-mãe de muita sorte, graças a Deus.

No entanto, quando mostrei a Nina, o ditado “mãe é tudo igual: só muda de endereço”, entrou em ação. Incrível como a semelhança no tratamento foi exatamente a mesma: da desconfiança natural de uma situação adversa ao acolhimento natural de “amo o meu filho, se você vai amar ele, é problema seu”, para a aceitação com o coração na boca do tipo: “que Deus proteja esse menino e você…”. Entenderam a relação de prioridade implícita do “primeiro eu, depois ela”?

Ontem, após a revisão dos 1000km, fui visitar a minha mãe biológica no trabalho. Ela era a última que faltava. A reação seria idêntica a das outras, no entanto, tudo aquilo que deixou de ser verbalizado mas que era fortemente sentido pelo Exército, seria detonado por ela.

Fiz o blog com a intenção de mantê-la informada… e ao mesmo tempo, esqueci de dar o bizu: “mãe, acessa aí!”. Um email com as fotos da Nina já havia sido enviado para rolar o amaciamento, mas nada substituiu o impacto ao vivo, sem a camada de proteção desse blog.

Foi certeiro, absurdamente eficaz, fulminante e devastador. Segue o diálogo na íntegra:
- Ai meu filho, estou tão feliz por você! Você tá muito feliz! Isso é ótimo! Ah! Eu tô vendo ela daqui!
- Mãe, larga de ser coruja, você está vendo uma moto na frente dela: eu sou mais alto que você e não consigo vê-la daqui…
50 metros depois e EM FRENTE a Nina… veio O Silêncio. Parecia uma eternidade de 10s, que quando acabou, me deixou em silêncio.
- Porra Alexander! Você comprou uma moto de corrida?!

Não adianta ligar, mostrar que não é bem assim, porque contra fatos não há argumentos. A verdade depende somente do ponto de vista: seja do seu, do meu, do outro… é isso o que importa. E ela formulou a dela, assim como eu já tinha a minha. Ela aceitou, mas não sem antes dizer:
- Quando você chegar em casa, você vai me ligar.

Esperta… já conhecendo o filho que tem – todas as mães sempre sabem do que o seu filho é capaz de fazer, a diferença é que tem determinadas coisas que elas realmente não acreditam que a gente faça! – já sabia em quanto tempo levaria para chegar em casa, com engarrafamento e tudo… então liguei exatamente na hora em que ela esperava a ligação.

Esperto eu? Claro que não. Mas faz bem aos nossos corações verdades distintas. Ela sabe disso, eu sei disso, todos nós sabemos disso, então por que não continuarmos com a convivência pacífica?

- É Nina, ao que parece, vamos pegar muita estrada pela frente… e vai ser do nosso jeito. Me segura!

Sofia**?
Outro post.

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