Jul 12, 2010
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Eu e a Ponte Rio-Niterói

Desde moleque sou apaixonado pela Ponte Rio-Niterói. O dragão de concreto segue serpenteando pela água e vai, majestosamente, cruzando a Baía de Guanabara e ligando o município de Niterói com o município do Rio de Janeiro.

Quilômetros intermináveis de beleza ímpar em qualquer hora do dia ao se avistar uma boa parte da orla do Rio de Janeiro – seria o Pão-de-Açúcar considerado um camarote? -, percorrendo-a por cima ou ainda, uma visão magnífica da Baía de Guanabara quando cruzada por baixo, de onde é possível ter noção exata de tamanha magnitude.

No entanto, ao passearmos por cima, perdemos a calma, mas não perdemos o bom humor, em determinados horários. Que tal às 18:30 de uma sexta-feira sentido Niterói? Ou ainda, 8:00 da manhã em um dia de semana, no sentido Rio? Os mais destemperados poderiam amaldiçoar com todas as forças os quilômetros de engarrafamento somados com a já tão tradicional “bronca” do patrão.

Então… já sabendo que a bronca é inevitável, o sofrimento, com certeza poderá ser opcional. Olha ali pro lado! Um avião decolando do Aeroporto Santos Dummont, contornando o Pão-de-Açúcar e passando bem perto da Ponte! O imenso céu azul colocando a Baía de Guanabara mais azul ainda!

E mais ali embaixo? Uma regata em andamento, provavelmente sendo encerrada na Marina da Glória, com direito a um cortejo de gaivotas que passam tão velozes quando a mudança dos nossos humores ao prestar atenção nesses pequenos detalhes.

A outrora Ponte engarrafada deu lugar a um imenso espetáculo a céu aberto. Tendo em vista um sem número de possibilidades, me coloco na condição de ator coadjuvante dessa peça ao ensaiar um retorno para a casa, sentido Rio, por volta das 23h.

As luzes iluminam o palco, a imensa cidade do Rio de Janeiro na esquerda, assim como a bela cidade Niterói ao fundo. Luzes auxiliares iluminam a via, sempre convidativa a novos passeios. Eis que decido mergulhar de cabeça em um mar de emoções, que vão desde a euforia contagiante até a apreensão quando estamos próximos a atingir um objetivo tão desejado.

As pernas já não tremem, as mãos já não suam, o nariz já não coça, o sorriso se abre, o corpo que se curva e, que atrás da carenagem, o mesmo já se esconde, a marcha que desce, a velocidade que sobe, a ponte que fica e o olhar altivo, feliz, agradecido e debochado de quem sabe o preço de realizar um sonho: liberdade.

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Grooveshark

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